Rafael Augusto

Acredita no poder de contar uma história e que se for possível fazer a diferença para uma única pessoa, terá cumprido o seu papel. É formado em Jornalismo e tem especialização em Mídias Sociais. Atualmente no Bandsports, conta com passagens pela TV Band, ESPN, Olimpíada Todo Dia e Gazeta de Santo Amaro.

Brasileiros pelo Mundo

Joãozinho, o onipresente do futebol russo

Por Rafael Augusto 26/10/2021 • 14:36
Meia-atacante é um dos brasileiros que há mais tempo atua no futebol russo
Meia-atacante é um dos brasileiros que há mais tempo atua no futebol russo
Reprodução/Instagram

A coluna desta semana conta a história de João Natailton Ramos dos Santos ou simplesmente Joãozinho, meia-atacante de 32 anos, que nesta temporada defende as cores do Sóchi FC, time russo que tem apenas três anos desde a sua fundação e que tem feito uma excelente campanha na atual temporada.

Embora para nós seja Joãozinho, o sergipano nascido na cidade de Umbaúba já se tornou “Zhoaozin'o” de maneira oficial, pois já com 10 anos vividos na Rússia, obteve a cidadania do país.

Joãozinho é um dos brasileiros que há mais tempo atua no futebol russo e detém o recorde de jogador de linha nascido por aqui que mais entrou em campo na Superliga, a primeira divisão russa, competição que é considerada a 7ª mais bem ranqueada dentre as ligas nacionais de países europeus.

E se para as bandas de cá poucos lembram do futebol deste meia que fora revelado na tradicional Portuguesa, por lá o pequeno meia de 1,65m é polivalente e se faz notar pela presença constante, pois ele já está próximo de bater a marca de 300 jogos na Superliga (290 até a publicação desta matéria). Os números só são superados pelo goleiro Guilherme, brasileiro naturalizado que chegou a defender a seleção russa.

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Joãozinho tem quase 300 jogos na primeira divisão russa. Reprodução/Instagram


Da Lusa, único clube no Brasil, para o futebol búlgaro

Assim como grande parte dos jogadores brasileiros que fazem quase toda a carreira no exterior, Joãozinho também deixou o Brasil muito jovem, aos 18 anos. Por aqui, só atuou na Portuguesa de Desportos, a popular Lusa, entre a base e o profissional, logo o sentimento pelo clube se mantém até os dias de hoje.

“Fiquei cinco anos entre base e profissional e foi um grande aprendizado, foi uma coisa boa de ter jogado pela Portuguesa e sinto saudades de tudo que passei e vivi...a Portuguesa faz um tempo que não se encontra em um bom momento. É muito triste de ver, praticamente sem série e infelizmente chegou a esse ponto. É um clube que revelou bastante jogadores, que tem uma base sempre forte e eu espero que isso possa passar e que possa mudar”, torce de longe.

Joãozinho se destacou principalmente na temporada de 2007, quando o a Lusa conseguiu ser campeã da Série A2 do Paulistão e conquistou o acesso para a Série A do Brasileirão. O bom desempenho do time, ainda que que em divisões inferiores, despertava o interesse em representantes de clubes do exterior e foi numa situação dessas que pintou a oportunidade para se transferir para o futebol europeu. O destino seria o Levski Sofia, tradicional time búlgaro.

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Meia-atacante ficou cinco anos na Lusa. Reprodução/Instagram


“A proposta da Bulgária surgiu depois de uma partida que jogamos no Canindé. O pessoal foi ver o Preto e infelizmente ou felizmente ele adoeceu no dia e não pode jogar. Eu entrei no lugar dele, me saí bem, o pessoal gostou e fez um acordo comigo para me contratarem”, relembra.

Títulos na Bulgária e venda inesperada para o futebol russo

Joãozinho chegou em um time campeão. O Levski Sofia, que até hoje é o segundo time mais vitorioso da Bulgária, tinha acabado de vencer o campeonato nacional e até por isso a adaptação não foi tão complicada.

O futebol búlgaro tem o costume de contratar jogadores brasileiros e inclusive fazer a naturalização para que defendam a seleção. E com Joãozinho não foi diferente. No período de quatro anos em que defendeu as cores do clube, foi campeão nacional e da Supercopa da Bulgária na temporada 2008/2009.

“Na Bulgária quando eu joguei tinha a possibilidade, mas eu tinha pouco tempo no país e não tinha como obter a dupla nacionalidade”, conta.

A naturalização não aconteceu, mas o que surpreendeu mesmo foi uma oferta para que mudasse de clube e de país. Titular do Levski e na quarta temporada defendendo as cores do time surgiu a proposta do Krasnodar, algo que mudaria sua vida e o encaminharia ao país com o qual a sua história no futebol está mais conectada.

“Foi uma coisa meio estranha. Eu estava na pré-temporada com o Levski e o diretor me chamou que o time estava interessado em mim e eles precisavam me vender, não queriam, mas precisavam do dinheiro. Então eu decidi sair”, relembra.

Três clubes em uma década no futebol russo

O começo da longa estadia de Joãozinho no futebol russo se deu no Krasnodar. O time que estrearia na primeira divisão russa em 2011 contratou o brasileiro, que lá permaneceu por sete temporadas e se tornou ídolo.

“Fui muito feliz no Krasnodar, é um clube que tenho uma história ainda, que tenho um amor pelo clube, pessoas, pelo presidente. Construí uma história linda e que nunca imaginei em um clube novo”, relata.

Joãozinho tem seu nome gravado na história do Krasnodar como o quarto jogador que mais atuou (217 partidas) e o quinto com mais gols (39). Tem ao seu lado outros brasileiros como Ari e Wanderson, que também são idolatrados pela torcida do time.

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Joãozinho em ação pelo Krasnodar, seu primeiro time na Rússia. Divulgação/Krasnodar


“O Krasnodar é uma equipe nova que chegou a uma final de Copa rapidamente conseguindo o vice e chegou na Liga Europa. Em termos de destaque pessoal, teve um ano que eu fui o jogador que dei mais assistências no campeonato, mas para mim que é mais feliz é o resultado coletivo”, explica.

Desde a chegada de Joãozinho em 2011, o Krasnodar se acostumou a ficar sempre na parte de cima da tabela do campeonato russo, foi vice-campeão da Copa da Rússia e está frequentemente conseguindo vagas em competições europeias.

Apesar de tudo que construiu, Joãozinho recebeu um novo desafio. No ano de 2018, o tradicional Dínamo de Moscou o contratou para tentar recuperar o brilho de outros tempos. O time vinha de um rebaixamento na temporada 2015/2016 e um jejum de conquistas.

Foram dois anos e mais de 50 partidas com a camisa da equipe. Contudo, novamente o desafio motivou o brasileiro a defender o seu terceiro clube na Rússia. Assim como fora com o Krasnodar, agora há a chance de escrever a história em um novo clube que vem chamando a atenção no cenário do país.

“No Sóchi está sendo uma história linda. No primeiro ano fomos quinto colocados e no segundo ano estamos lutando pelas primeiras colocações e eu estou muito feliz de estar conseguindo isso com a equipe”, analisa.

Até a publicação da matéria, o Sóchi vem novamente surpreendendo ao estar entre as três melhores equipes da liga russa e deixando outras equipes tradicionais para trás.

Com contrato até a metade de 2022, quando já estará com 33 anos, Joãozinho não faz planos, mas admite que deseja escrever novos capítulos na história que deixou aqui há 15 anos atrás.

“Quase 15 anos de Europa. Eu sempre penso em voltar e, se depender, conseguir um clube no Brasil que possa disputar uma Série A seria bom, mas isso vamos ver e o tempo que irá dizer. Tenho o desejo de atuar no Brasil ainda”, finaliza.

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