Rafael Augusto

Acredita no poder de contar uma história e que se for possível fazer a diferença para uma única pessoa, terá cumprido o seu papel. É formado em Jornalismo e tem especialização em Mídias Sociais. Atualmente no Bandsports, conta com passagens pela TV Band, ESPN, Olimpíada Todo Dia e Gazeta de Santo Amaro.

Brasileiros pelo Mundo

Patric, o centroavante brasileiro que deseja jogar pelos ‘Samurais Azuis’

Por Rafael Augusto 06/10/2021 • 13:38
Atacante é ídolo do Gamba Osaka e tem chance de atuar pela seleção do Japão
Atacante é ídolo do Gamba Osaka e tem chance de atuar pela seleção do Japão
Reprodução/Instagram

Durante anos alguns jogadores do futebol brasileiro defenderam outros países, chegando a atuar até mesmo em Copas do Mundo. Este é um processo que acabou se tornando natural em alguns casos, principalmente para jogadores que saem para defender equipes e acabam criando raízes muito fortes com outras nações.

A coluna desta semana traz a história de Anderson Patric Aguiar de Oliveira, ou simplesmente Patric, atacante de 33 anos, ídolo do Gamba Osaka e de destaque no Japão, que almeja um dia defender a seleção, repetindo o feito de outros ex-jogadores daqui como Ruy Ramos, Wagner Lopes, Túlio Tanaka e Alex dos Santos, o que o tornaria o quinto brasileiro a jogar sob a alcunha de ‘samurai azul’ apelido dado para a o selecionado japonês.

Cada vez mais próximo da marca de 100 gols em mais de 200 jogos na J-League, além dos títulos importantes no currículo, Patric é um dos brasileiros com o nome marcado no futebol japonês.

“É um desejo que eu tenho para poder defender as cores da seleção japonesa como forma de gratidão por tudo que o país proporcionou para mim. A torcida japonesa me acolheu de braços abertos, pois eu me esforcei para dar entrevista e escrever em japonês e adquiri esse respeito”, explica.

Falta de oportunidades no Brasil no início da carreira

Os nove anos que vive em terras japonesas mostram que a carreira de Patric é constituída somente de vivências no futebol de lá e de cá. Se por lá os feitos, os títulos, os gols e a idolatria tornam inclusive possível uma naturalização, aqui o começo do atacante e as chances de se firmar foram raras, principalmente para quem nasce longe dos grandes centros.

“O início foi bem difícil principalmente porque sou um jogador amapaense e no meu estado é muito difícil o jogador ter oportunidade, os empresários não vão até lá para ver, mas Deus me abençoou, me deu a oportunidade de sair de lá e jogar em várias regiões do Brasil”, conta.

As passagens em alguns clubes de regiões como centro-oeste, nordeste e sudeste mostram como o caminho é árduo, principalmente com relação ao calendário. É uma dificuldade encontrada por muitos o de ter a garantia de manutenção de emprego, pois os contratos são feitos com base no que o time terá para jogar no ano.

“Eu passava três meses em um clube e daqui a pouco acabava o campeonato estadual, ia para outro clube, nunca conseguia fazer um contrato longo de um ano. Onde eu fiquei mais tempo foi no Vasco da Gama, em 2010 e 2011, mas eu não tive muitas chances de jogar. Em outros clubes eu tive mais chance, no Atlético-GO eu joguei a Série A, no Vila Nova eu fui artilheiro do campeonato goiano. Então, eu passava três meses em um clube e ia para outro, foi difícil a minha carreira no Brasil”, comenta.

Patric defendeu o Vasco em 2010 e 2011. Reprodução/Instagram


E justamente numa das oportunidades que teve, ele aproveitou. O breve destaque durante a temporada de 2012, no qual marcou muitos gols no Campeonato Goiano e em especial um gol em uma partida válida pelo Brasileirão contra o Santos de Neymar, no Pacaembu, brilharam os olhos dos diretores do Kawasaki Frontale, que estavam atrás de um centroavante brasileiro.

“Quando eu recebi a proposta para vir a primeira vez para o Japão eu estava jogando a Série A pelo Atlético-GO e os empresários japoneses queriam um atacante do Brasil e a primeira opção era o Hernanes, do Flamengo, mas ele não aceitou a proposta. Aí eles vieram até mim pela característica que estavam procurando, foram ver um jogo meu contra o Santos, até o Neymar estava, e eu acabei me destacando. Era um sonho sair do Brasil. Eu sempre falei que quando tivesse a oportunidade de sair, não iria mais voltar”, relembra.

Sucesso imediato no futebol japonês

A chegada do atacante alto, forte e que pudesse romper linhas era algo muito buscado pela maioria das equipes. Contudo, apesar da contratação pelo Kawasaki, o destino de Patric estava designado para outra grande equipe japonesa e da qual é ídolo, o Gamba Osaka.

“Eu tinha contrato de um ano e fui emprestado a outro clube da primeira divisão. Depois retornei para o Brasil, de férias, e fiquei em casa de três a quatro meses, não queria jogar no Brasil, e aí veio o convite do Gamba Osaka. O time estava na zona de rebaixamento, forte candidato a ser rebaixado e eu cheguei no clube. Era a peça que estava faltando e eu consegui me destacar. Em seis meses ganhamos a tríplice coroa. Isso me valorizou muito no país e no clube. Eu passei três anos no Gamba Osaka, ganhei cinco títulos, disputamos nove finais e foi um dos momentos mais brilhantes que vivi na minha carreira”, fala.

Patric quer permanecer no Japão para projetos futuros. Reprodução/Instagram


O sucesso dele é tanto que a imprensa japonesa passou a colocar em pauta a naturalização do jogador, mas que uma lesão atrapalhou algo que já poderia ter acontecido há algum tempo.

“Aqui a Lei é bem correta. Você tem que ficar cinco anos no país, saber o idioma e fazer um teste para conseguir se naturalizar. Quando eu estava para completar cinco anos eu me machuquei gravemente, voltei para o Brasil e acabei perdendo o visto. Depois da lesão eu retornei para o Sanfrecce Hiroshima, fiz uma campanha excepcional, fui vice-artilheiro da J-League. Surgiu o papo de novo de naturalização porque tinha Copa, porém eu não poderia, pois acabei zerando a contagem. Eu vou completar cinco anos novamente no ano que vem, a imprensa e o treinador da seleção têm ciência que eu quero me naturalizar, pois é uma posição carente na seleção e nas outras eles estão bem servidos”, aposta.

E para quem pensa que mesmo próximo do final da carreira, o jogador possa querer voltar ao futebol brasileiro, se engana. A adaptação foi tão positiva que ele quer mesmo é permanecer no país japonês para projetos futuros.

“Meu contrato com o Gamba vai até o final do ano. Eu não tenho mais vontade de voltar ao Brasil por toda a história que construí aqui e pela adaptação da família. O meu filho já está jogando na escolinha do Gamba e deve seguir os passos do pai, eu vejo esse talento nele. Então, por um projeto futuro que tenho aqui no Japão depois de encerrar a carreira, não pretendo voltar a jogar no Brasil”, finaliza.

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