Rafael Augusto

Acredita no poder de contar uma história e que se for possível fazer a diferença para uma única pessoa, terá cumprido o seu papel. É formado em Jornalismo e tem especialização em Mídias Sociais. Atualmente no Bandsports, conta com passagens pela TV Band, ESPN, Olimpíada Todo Dia e Gazeta de Santo Amaro.

Brasileiros pelo Mundo

Petrazzi, um volante de fé jogando em Israel

Por Rafael Augusto 10/02/2021 • 18:40
Brasileiro de 30 anos defende o Hapoel Nof Hagalil, time da segunda divisão israelense
Brasileiro de 30 anos defende o Hapoel Nof Hagalil, time da segunda divisão israelense
Reprodução/Facebook

A carreira de um jogador de futebol muitas das vezes permite a ele conhecer diversos países e ter contato com muitas culturas. A coluna desta semana traz mais um relato de um jogador brasileiro que fez carreira no exterior, tendo passado por cinco países diferentes, mas que encontrou em Israel a sua ‘casa’.

Pedro Sass Petrazzi, de 30 anos, é volante do Hapoel Nof Hagalil, time da segunda divisão israelense, que foi fundado em 1962 e que leva o novo nome da cidade Nof Hagalil (Vista da Galileia), alterado em 2019, já que houve um plebiscito que mudou o nome do município que anteriormente era Nazareth illit (Colinas de Nazaré). A mudança foi feita justamente para que a cidade não fosse confundida com a cidade de Nazaré, terra onde Jesus teria passado a infância.

E foi com o novo nome que o clube conquistou o principal título da sua história, que foi a Copa da Segunda Divisão Israelense no ano passado, título este que Petrazzi esteve em campo.

Divulgação/Hapoel Nof Hagalil


A descoberta da fé e cura das dores
Desde 2016 em Israel, o brasileiro se aproxima da marca de 100 partidas com a camisa do clube e é um dos pilares da equipe que busca voltar a elite do futebol israelense depois de 15 anos. Nesta temporada, o time lidera a competição já com metade do campeonato disputado.

E a boa fase nesta temporada tem muito a ver com acontecimentos no passado. O jogador tinha dores crônicas, mas que após uma visita em um local sagrado, atesta que conseguiu se recuperar.

“Eu passava por um momento difícil. Era fim de temporada, algumas dores me incomodavam muito e eu não sabia mais o que fazer para cessá-las. Fui então a Jerusalém pedir a Deus que me curasse, para que eu pudesse disputar os jogos do playoff que eram muito importantes para o meu time naquele momento. Ao chegar me ajoelhei e orei com toda a força que tinha. Trabalhei mais forte ainda na fisioterapia e com a graça Dele venci essas dores”, explica.

Reprodução/Facebook


E a mudança se deve justamente a quando o jogador se mudou para Israel, cujo país ele explica que é o que mais agregou em sua vida: “Aprendi muitas coisas nos países onde passei, mas o que mais agregou na minha cultura foi Israel. Por estar na terra de Jesus, cresci muito religiosamente. Não era muito ligado a Deus, mas hoje posso dizer firmemente que Ele salvou a minha vida”, reforça.

Vacina à vista e desejo de seguir em Israel
Sendo o país em que mais viveu, o brasileiro é só elogios a Israel pela segurança que proporciona sua família, tanto que pensa em seguir no país e não vislumbra um retorno ao futebol brasileiro. Há de considerar também que Israel lidera a aplicação de vacinas contra a covid-19 e, como um atleta, Petrazzi está entre os que são prioridades.

“Ainda não recebi a dose, vamos tomar a vacina agora no começo do mês de fevereiro. O futebol ainda está tentando se adaptar ao Coronavírus, não é fácil. Nós jogadores estamos entre as prioridades para tomar a vacina aqui. Espero que tudo se normalize o mais rápido possível, para podermos ter novamente as torcidas no estádio com segurança”, conta.

Início no interior de São Paulo e giro pela Europa
A carreira de Petrazzi teve início no começo do ano de 2010, quando atuou pelo Comercial-SP e teve ainda uma breve passagem pelo Guarani. Sem muito espaço, foi buscar dar continuidade em outros países.

O primeiro em que viveu foi a Hungria, onde jogou no Nagyberki e no Kaposvar. De lá, teve uma breve passagem pela Grécia, defendendo o APO Levadiakos. Na sequência, teve a primeira experiência em Israel, jogando pelo Hapoel Raanana. Os últimos dois países que viveu antes de voltar para Israel foram Cazaquistão, defendendo o Shakhter Karaganda, e na Sérvia, quando jogou com as cores do Borac Kakac.

“O aspecto que eu mais evoluí nessas minhas passagens pelo futebol europeu foi o meu posicionamento dentro do campo. Ganhei muita experiência em como me colocar taticamente, minha melhora foi substancial”, analisa.

Divulgação/Hapoel Nof Hagalil


Assim como Petrazzi, muitos outros jogadores fazem grande parte da carreira fora e jogando por diversos países e para ele tem uma justificativa: “O brasileiro é visto aqui como o jogador diferente. Isso acontece devido a nossa personalidade dentro do campo e ao fato de impormos o jogo e desequilibrarmos”, finaliza.

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