Rafael Augusto

Acredita no poder de contar uma história e que se for possível fazer a diferença para uma única pessoa, terá cumprido o seu papel. É formado em Jornalismo e tem especialização em Mídias Sociais. Atualmente no Bandsports, conta com passagens pela TV Band, ESPN, Olimpíada Todo Dia e Gazeta de Santo Amaro.

Brasileiros pelo Mundo

Ricardo Nascimento, o xerifão do futebol sul-africano

Por Rafael Augusto 18/05/2021 • 19:04
Brasileiro de 34 anos é um dos capitães do Mamelodi Sundowns, principal time do país
Brasileiro de 34 anos é um dos capitães do Mamelodi Sundowns, principal time do país
Divulgação/Mamelodi Sundowns

A coluna desta semana conta a história de um brasileiro que foi se aventurar no continente africano. É comum trazermos histórias de jogadores atuando ou na Ásia ou na Europa, mas é a primeira vez que temos um jogador de destaque na África do Sul.

O zagueiro Ricardo Nascimento, de 34 anos, é um dos capitães e líder do Mamelodi Sundowns, o principal time sul-africano, que tem 13 títulos da DSTV Premiership, a primeira divisão de lá.

Para que se tenha uma ideia da idolatria do zagueiro, a torcida comemorou muito que em 2020 ele assinou a renovação de contrato com o clube até 2023, tendo chegado para vestir a camiseta amarela em 2016. Sim, o primeiro uniforme do time é composto por camiseta amarela, calção azul e meias brancas; enquanto o segundo uniforme é composto por camiseta azul, calção branco e meias azuis, o que rende um apelido bem peculiar ao time.

“Aqui eles têm o uniforme das cores da seleção brasileira e são chamadas de ‘Os Brasileiros’. Isso me ajudou muito na adaptação, pois eu fui muito bem recebido. Estou aqui há cinco anos e para ser sincero vou terminar a minha carreira aqui. Eu tinha o sonho de voltar para o Brasil, mas cada vez fica mais difícil por conta da idade e do contrato que tenho aqui de mais dois anos, então provavelmente vou encerrar aqui”, conta.

O Mamelodi Sundowns é o atual tricampeão da DSTV Premiership e deve conseguir o tetracampeonato nesta temporada.

Zagueiro se sente em casa no time que tem a “cara” do Brasil. Divulgação/Mamelodi Sundowns


Jogar na África do Sul: rejeição no início e satisfação no final

O jovem jogador brasileiro que busca uma condição financeira melhor para a família enxerga sempre no mercado europeu a grande chance. É o caso de Ricardo, que já tinha jogado em alguns clubes do futebol português e defendia a Acadêmica quando recebeu a proposta para se mudar para o futebol sul-africano.

“A proposta foi interessante. O treinador, que era o Pitso (Mosimane), tentou me contratar um ano antes e eu não quis ir. Tinha um preconceito, acho, por estar na Europa e não imaginava que o país era tão bom e tão desenvolvido. No outro ano ele viajou a Portugal para ter uma reunião comigo, meu empresário e minha esposa. Tivemos a reunião, fiquei interessado, mas acabei saindo de férias e indo para o Brasil. O pensamento era não ir para a África do Sul. Nas férias foi ficando mais sério, meu empresário me convenceu a vir conhecer a cidade e o time, acabei assinando contrato e ficando”, relembra.

A ida para um novo centro trouxe duas novas questões para o jogador. Além da adaptação ao país, existia também a necessidade de se adequar ao futebol jogado por lá, principalmente vindo de um centro europeu em que a parte tática é muito valorizada.

“Eu tive um pouco de dificuldade de adaptação, pois não falava muito inglês e não falo até hoje (rs). O futebol é bem diferente. Aqui eles não têm muito valor a parte tática, se importam muito em atacar, é um futebol mais alegre. O importante para eles é o gol. Agora está mudando um pouco, está evoluindo”, explica.

E a evolução também aconteceu na carreira do jogador que desde que chegou acumula conquistas nacionais (tricampeão da Liga Sul-Africana, campeão da Copa da África do Sul e da Copa da Liga Sul-Africana) e títulos internacionais (campeão da Champions da África e da Supercopa africana).

“Em Portugal eu estava em times sempre no meio da tabela e brigando para não cair. Aqui todos os anos conseguimos pelo menos um título. Eu tive a experiência de disputar um Mundial de Clubes. Era um sonho e consegui realizar. Pretendo conquistar mais títulos, quem sabe ganhar uma Champions e voltar para o Mundial”, comenta.

Ricardo acumula conquistas com no país africano. Divulgação/Mamelodi Sundowns


Início no futebol e aprendizado como zagueiro já no profissional

Para quem não se lembra do jogador, ele começou cedo e rodou um pouco até conseguir uma grande chance que praticamente só veio fora do país.

“O meu início foi no Rio Branco-SP, comecei aos 13 e fiquei até os 19 anos. Eu disputei um Campeonato Paulista profissional e fui para o Figueirense. Lá fiz um contrato de 3 anos, fui emprestado para o São Luiz-RS e disputei um Gauchão que foi uma experiência muito boa. Eu retornei para o Figueirense, terminou o meu contrato e fui parar no Palmeiras B. Foi talvez o meu divisor de águas. Joguei a série A-3, o Jorginho (Cantinflas) era meu treinador e me ajudou muito, aprendi com ele”, lembra.

E o aprendizado se deve a uma nova função que Ricardo passou a desempenhar mesmo quando já estava no profissional, que foi a de atuar como zagueiro. Por ser canhoto, algo mito buscado para zagueiros por conta da construção de jogo, atuar em um grande clube como o Palmeiras e posteriormente ir para o futebol europeu foi determinante para ele.

“O Palmeiras B foi o primeiro time que joguei como zagueiro. Estava aprendendo a posição. Foi daí que eu consegui ir para Portugal. É o lugar perfeito para o jogador brasileiro sair, por conta da língua e a dificuldade é um pouco menor. Eu dei a sorte que no futebol português os treinadores são muito bons e eu consegui aprender mais ainda na posição nova”, finaliza.

E a posição nova deu tão certo que o zagueiro tem uma história brilhante por lá. Além dos títulos, ele também tem um registro interessante de gols, até porque assume cobranças de pênalti do time, inclusive dos decisivos.

Logo, é muito comum encontrar análises de que Ricardo Nascimento seja um dos maiores defensores da história da Liga Sul-Africana na era da PSL (Premier Soccer League), que é a organização que administra as duas primeiras divisões desde 2002. Um verdadeiro xerifão no futebol sul-africano.

  • rafael-augusto
  • futebol
  • ricardo nascimento
  • mamelodi sundowns
  • app