Rafael Augusto

Acredita no poder de contar uma história e que se for possível fazer a diferença para uma única pessoa, terá cumprido o seu papel. É formado em Jornalismo e tem especialização em Mídias Sociais. Atualmente no Bandsports, conta com passagens pela TV Band, ESPN, Olimpíada Todo Dia e Gazeta de Santo Amaro.

Brasileiros pelo Mundo

Vitinho, um jovem lateral no futebol belga

Por Rafael Augusto 24/06/2021 • 19:37
Brasileiro de 21 anos defende o Cercle Brugge desde 2018
Brasileiro de 21 anos defende o Cercle Brugge desde 2018
Reprodução/Instagram

O futebol belga tem uma relação com o futebol brasileiro. Nos últimos 16 anos, em duas edições de Copa do Mundo, as seleções se encontraram em fases eliminatórias, com o Brasil vencendo e avançando em 2002 e com os belgas levando a melhor em 2018. Além disso, a história mostra alguns jogadores brasileiros que já foram naturalizados para defenderem a seleção europeia e inclusive tendo disputado Copa do Mundo.

De alguns anos para cá, ficou muito claro como a Bélgica apresentou para o mundo uma geração muito talentosa, o que atrai a atenção para o trabalho feito pelos clubes e o futebol praticado nas ligas do país, principalmente a Jupiler Pro League, a primeira divisão, uma das ligas com a menor média de idade (5ª liga entre as que têm mais de 16 clubes) e com a maior porcentagem de jogadores estrangeiros (4ª liga entre as que têm mais de 16 clubes).

Justamente um dos jovens e brasileiros que atuam na Liga é Vitinho, de 21 anos, que atua como lateral direito do Cercle Brugge. Revelado pelo Cruzeiro, o jogador teve o seu passe adquirido pelo clube belga e atua no país desde 2018.

“Meu time está entre os times mais novos de toda Europa. Isso é ótimo para ganharmos minutagem. Acredito que nós que somos jovens precisamos de muitos minutos nos jogos para alcançarmos nosso objetivo no futuro”, fala nesta entrevista exclusiva ao Brasileiros pelo Mundo.

Base no Cruzeiro e sonho com Mônaco

Foram 12 anos de base da Raposa e apenas um único jogo, justamente em um clássico contra o Atlético-Mg, quando entrou no segundo tempo da partida válida pela sexta rodada do Campeonato Brasileiro de 2018.

“Sim, infelizmente não fiquei muito tempo no profissional do Cruzeiro, mas fiz minha formação toda dentro do clube. Passei por todas as categorias de base dentro da Toca. Só tenho que agradecer ao clube nesse processo que me fez crescer dentro e fora de campo”, relembra.

O jogador chegou a ser chamado por Tite para compor os treinos da seleção brasileira em Londres e já era observado, o que atraía o interesse de clubes daqui e de fora. O principal e decisivo foi do Cercle Brugge, que é um clube que pertence ao grupo que comanda o Mônaco, da França.

Vitinho durante treino da seleção brasileira. Reprodução/Instagram


Na época, apesar do pouco tempo no profissional e ainda lutando para se firmar, a possibilidade de defender um clube na primeira divisão de uma das ligas mais proeminentes da Europa foi determinante.

“A negociação com Cercle Brugge foi muito rápida. Quem me avisou foram os meus empresários, disseram que era coisa boa para o meu começo de carreira na Europa, que o Campeonato Belga era uma vitrine”, explica.

E o fato de defender um clube que está diretamente ligado a outro em uma liga como a da França faz com que uma possível ponte se torne mais fácil para o jovem jogador.

“Sim, meu objetivo sempre foi ir para o Monaco, desde quando aceitei vim para o Cercle. Na minha segunda temporada, comecei fazendo a pré-temporada com o Mônaco, quando acabei tendo que voltar para o Cercle, mas espero ter minha chance na França e estou trabalhando para isso”, comenta.

Evolução após três temporadas no futebol belga

É muito comum para o jogador brasileiro, principalmente os que atuam no setor defensivo, terem um grande desenvolvimento tático quando passam a jogar no futebol europeu. O período de adaptação, contudo, demora um pouco, principalmente quando se é mais jovem e foi este o caso do jogador que admitiu dificuldades.

Jogador demorou para embalar na Bélgica. Reprodução/Instagram


“A primeira temporada foi o tempo de adaptação, onde passei alguma dificuldade de idioma, cultura, comida e outras coisas. Na segunda, infelizmente tive que uma lesão no púbis que me tirou bastante tempo dos gramados e, na terceira, foi onde consegui mostrar todo o meu futebol. Consegui minutos de jogos e creio que evolui bastante na parte de entendimento de jogo e parte defensiva”, analisa.

Apesar das últimas campanhas do Cercle Brugge não terem sido das melhores, o jogador foi justamente nessa última temporada o que mais líder de estatística em desarmes pela equipe durante toda a liga.

“É um futebol muito mais tático que no Brasil. Aqui você não vê a mesma criatividade que você ver no futebol brasileiro. Por isso, tive que passar por esse tempo de adaptação que me fez evoluir bastante”, finaliza.

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