Raí Monteiro

Raí Monteiro é jornalista formado desde 2018. Sempre buscando entender o jogo pelo contexto e as ideias, gosta de olhar o esporte pela tática e o lado estratégico, sem esquecer a imprevisibilidade que faz do futebol o mais apaixonante de todos. Fã das boas histórias da bola.

Futebol Gringo

Amistosos em meio à pandemia são um absurdo; datas Fifa precisam ser revistas

Por Raí Monteiro 17/11/2020 • 12:55 - Atualizado em 17/11/2020 • 16:07
Jogador do Egito e do Liverpool, Salah foi diagnosticado com covid-19 na sexta-feira
Jogador do Egito e do Liverpool, Salah foi diagnosticado com covid-19 na sexta-feira
Reprodução/Instagram Salah

Todos estão sofrendo com a pandemia. No mundo do futebol também não é diferente. Clubes, ligas, federações, jogadores, técnicos... o torcedor. A comunidade toda está sendo afetada de alguma forma, direta ou indiretamente. Como já não é mais novidade, vivemos um período de exceção, em que o calendário está mais apertado do que nunca e o vírus ameaça o trabalho de atletas e seus treinadores a cada rodada de jogos com viagens pelos países onde atuam. Não fosse complicado o suficiente o panorama entre os times, as seleções, nas datas Fifa, têm deixado esse contexto ainda mais difícil.  

É óbvio que os técnicos não são culpados (pelo menos não os únicos), tão menos os jogadores, pelas lesões durante o período em que estão em atividade. Muito menos por se infectarem durante as viagens para servir o país em campo. Recentemente, Cristiano Ronaldo testou positivo enquanto estava com a seleção portuguesa, nessa semana, Vida, zagueiro da Croácia, descobriu que estava infectado durante intervalo de um jogo pela equipe nacional, e na última sexta, 13, Mohamed Salah confirmou que contraiu o vírus, enquanto a seleção egípcia se preparava para atuar.  

Os jogos entre os países são importantes, a disputa e preparação para a Copa do Mundo do Catar em 2022 idem, e precisam acontecer. Mas a Fifa precisa encontrar uma solução junto às suas filiadas. Durante o período de reuniões das seleções, milhares de jogadores se deslocam pelo mundo, indo e vindo de regiões mais ou menos afetadas no momento, podendo levar ou trazer o vírus para outro país e seus companheiros no clube ou seleção. São potenciais transmissores durante um bom tempo. Neste contexto, disputa de amistosos, como vimos especialmente na Europa na última semana, é completamente inadmissível.  

É necessário reduzir o já longo deslocamento entre esses jogadores e times pelo continente a fim de diminuir não só o desgaste, mas também a possibilidade de infecção. Talvez concentrar jogos em uma região, rever o formato das disputas, ou até mesmo paralisar esses confrontos e compensar mais adiante, quando a situação melhorar e for mais seguro para todos. Não podemos esquecer que boa parte da Europa vive uma segunda onda de contágio. É um momento de exceção e todos precisam ceder um pouco, para não colocar em risco a saúde dos atletas, comissão e dirigentes. Estamos na segunda reunião de data Fifa desde que o futebol retornou e já se tornou incontável o número de infectados pelo mundo. Um enorme prejuízo (não só financeiro) para todos.  

Há alguns anos, na Europa, a data Fifa é conhecida como “vírus Fifa”, pois muitos jogadores voltam lesionados do período — além de Salah com covid-19, o Liverpool perdeu Henderson e Robertson machucados durante essa parada. Não se trata de mera coincidência. Isso acontece por causa da sequência de jogos, com viagens e desgaste acima do normal. Agora, porém, o problema não é só físico ou técnico, é de saúde. Alguma coisa precisa ser feita, e em breve.

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Bandsports.

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