Raí Monteiro

Raí Monteiro é jornalista formado desde 2018. Sempre buscando entender o jogo pelo contexto e as ideias, gosta de olhar o esporte pela tática e o lado estratégico, sem esquecer a imprevisibilidade que faz do futebol o mais apaixonante de todos. Fã das boas histórias da bola.

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Derrota no clássico pode ser uma boa oportunidade de reflexão para Lampard

Por Raí Monteiro 27/12/2020 • 10:03
Blues ainda não conseguiram engrenar mesmo após o grande investimento na última janela
Blues ainda não conseguiram engrenar mesmo após o grande investimento na última janela
Reprodução/Instagram Chelsea

Um revés em um dérbi já é algo suficientemente impactante, mas no caso do Chelsea, que perdeu por 3 a 1 para o Arsenal neste sábado no Emirates Stadium, a queda tem ainda mais pontos sensíveis e alguns de profunda análise.  

Primeiro pelo momento do Arsenal, que chegou para o jogo sem vencer na Premier League desde o início de novembro (sete jogos), com apenas o 15º lugar da competição e vindo de uma eliminação na Copa da Liga no meio da semana diante do Manchester City, também jogando em casa.  

Segundo pela fragilidade técnica do rival, confirmada pelos resultados e as atuações de um time muito distante de encontrar alguma consistência. Com várias peças rendendo muito menos do que o imaginado e o técnico Mikel Arteta até certo ponto questionado pelo trabalho que teve um começo muito promissor.

E terceiro pelo jogo também ruim do Chelsea, que ainda não encontrou um formato, uma direção, um norte, alguma solidez, mesmo que com muito talento agregado na última janela, onde o clube gastou mais de 250 milhões de euros em ótimos jogadores.

Não se trata apenas de olhar para a derrota diante dos Gunners, mas também, de forma geral, para as atuações da equipe na temporada, ainda bastante irregular – algo até certo ponto comum. Até certo ponto. Por um lado é natural que o time tenha dificuldades para engrenar. Lampard está em seu segundo ano no comando, mas muitos jogadores foram agregados nessa temporada, vários deles pendentes de uma adaptação em outro país e futebol. Faz parte do contexto e não pode ser ignorado. Mesmo que não dê para deixar de observar claros equívocos na formação da equipe, que impactam no rendimento ruim dos jogadores.  

O símbolo dessa questão talvez seja Timo Werner, principal contratação do time na temporada. Depois de bons anos no RB Leipzig da Alemanha, o atacante chegou como a esperança de gols para o time de Frank Lampard. Mas a posição que o alemão tem sido escalado em campo tem atrapalhado seu rendimento.  

Em 14 jogos na Premier League, Werner tem quatro gols e cinco assistências, números também ruins se olhamos de forma isolada. Em campo, o camisa 11 tem jogado muitas vezes distante do gol – o que isoladamente também não é um problema. Werner é um jogador polivalente, que pode atuar em diferentes posições e funções e tem em seu jogo bastante mobilidade e capacidade de interpretar espaços no campo. Mas não como ponta, aberto pelo lado esquerdo, mesmo que com liberdade para transitar.  

Além de ser a posição que menos rende -- o que fica cada vez mais claro a cada jogo --, ter Werner na esquerda faz com que Pulisic, um dos melhores jogadores da última temporada, também tenha que sair da sua posição mais natural, que também é partindo do lado esquerdo, abrindo corredor para Chilwell. Na direita, o americano tem maiores dificuldades, assim como Werner quando jogou por lá. Jogadores que Lampard tem usado na ausência de Ziyech.  

Ainda tem Kai Havertz, que ainda não encontrou seu melhor habitat. Já foi referência de mobilidade, 10, mas não fez atuações parecidas com as que o trouxeram para Londres. A questão, outra vez, não está apenas na posição de cada jogador, mas na soma disso com a questão coletiva.  

Em vários jogos, o Chelsea combinou muita posse com falta de agressividade e contundência na frente. Questões que precisam ser trabalhadas. É louvável que Lampard queira abrigar todos os melhores juntos, mas fazer isso com sentido coletivo e equilíbrio parece cada vez mais difícil. O clássico mostrou e pode ser uma boa oportunidade para que o técnico reflita sobre a equipe.

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