Raí Monteiro

Raí Monteiro é jornalista formado desde 2018. Sempre buscando entender o jogo pelo contexto e as ideias, gosta de olhar o esporte pela tática e o lado estratégico, sem esquecer a imprevisibilidade que faz do futebol o mais apaixonante de todos. Fã das boas histórias da bola.

Futebol Gringo

Início ruim do Real Madrid surpreende, mas não deveria

28/10/2020 • 16:32 - Atualizado em 02/11/2020 • 09:06
Casemiro e Sergio Ramos são dois dos pilares do Real
Casemiro e Sergio Ramos são dois dos pilares do Real
Reprodução / Instagram Real Madrid

Quatro vitórias, dois empates e duas derrotas em oito jogos. Na frieza dos números, a largada do Real Madrid na temporada 2020/21 não é tão ruim. Olhando para as tabelas de classificação mundo a fora, ninguém também está sobrando. O início do Campeonato Alemão é equilibrado, com três times empatados na ponta, no Inglês, três dos quatro primeiros não são do grupo de cotados ao título, no Italiano, o Milan lidera depois de muitos anos, e no Espanhol, a Real Sociedad aparece na ponta neste começo.

Vale lembrar também que ainda vivemos um período atípico dentro do futebol. A última temporada terminou muito depois do esperado e isso impactou diretamente no planejamento para a que iniciou. Férias menores, uma pré-temporada muito mais curta e poucos períodos para treinamentos ou recuperação de jogadores. Financeiramente o momento também é complicado para a grande maioria. As receitas diminuíram e o poder de investimento idem. O Real Madrid, por exemplo, não contratou ninguém na última janela, mas teve algumas perdas, como Hakimi, Reguilón, James Rodríguez e Gareth Bale – muitas dessas por escolha de Zidane.

As lesões são outro tópico que pertencem ao contexto do início ruim do Real. Carvajal teve um problema no joelho e só retorna em dezembro, o que faz com que o técnico tenha que escalar Nacho ou Lucas Vázquez na direita, já que ainda não confia tanto no jovem Odriozola. Odegaard chegou como a esperança de ser o grande articulador do time, mas também machucado fez só três partidas na atual temporada. O atleta mais caro do elenco atual, Hazard, jogou seus primeiros minutos desde julho diante do Monchengladbach, e é outro que ainda está distante de corresponder às expectativas.

Zidane tem vários problemas na montagem do time e isso precisa ser colocado em perspectiva, é claro. Mas as respostas em campo também não têm sido as mais positivas. Por mais dificuldades que um técnico tenha, sua missão é tentar produzir alternativas. A defesa, que foi a melhor da Espanha em 2019/20, já sofreu nove gols em oito jogos na temporada, passando sem ser vazada em apenas um dos compromissos. O ataque também não tem sido tão efetivo, com uma média inferior aos dois gols por partida. O meio-campo segue sofrendo com a inconsistência de Isco, além da já citada lesão de Odegaard.  

Mas mais do que setores específicos, o desempenho do time como um todo é o principal problema. A equipe de Zidane segue sem uma característica marcante ou uma ideia sólida de jogo. É quase impossível identificar um padrão de atuação dentro das partidas, uma percepção que não vem de hoje. Variações não são necessariamente ruins e se adaptar ao contexto pode ser positivo, mas é importante ter um caminho definido para quando as coisas fogem um pouco do controle. Esse desequilíbrio está no jogo, nas atuações e os números ajudam a ilustrar. O Real Madrid finaliza, em média, 13 vezes por jogo, o que não é ruim. Mas também sofre, em média, nove finalizações contra o seu gol, um dado mais preocupante.

Entre os problemas do elenco, lesões, falta de ritmo e inconsistência de algumas peças e as questões relacionadas à montagem do time, de escolhas táticas, Zidane precisa encontrar um equilíbrio. Uma palavra simples, mas difícil dentro do futebol, que pode ser a chave para que o time tenha algum tipo de solidez e possa se apresentar para disputas por títulos com mais força. O alerta sobre Zidane está ligado e será necessário trabalhar para fazer do Madrid um time forte outra vez.  


Dados estatísticos: Wyscout.

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Bandsports

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