Raí Monteiro

Raí Monteiro é jornalista formado desde 2018. Sempre buscando entender o jogo pelo contexto e as ideias, gosta de olhar o esporte pela tática e o lado estratégico, sem esquecer a imprevisibilidade que faz do futebol o mais apaixonante de todos. Fã das boas histórias da bola.

Futebol Gringo

Tottenham mostra que o futebol é de quem joga

Por Raí Monteiro 06/12/2020 • 17:35 - Atualizado em 06/12/2020 • 18:08
Observados por Mourinho, jogadores do Tottenham comemoram gol
Observados por Mourinho, jogadores do Tottenham comemoram gol
Reprodução/Instagram Tottenham

O Tottenham Hotspur venceu o dérbi do norte de Londres diante do Arsenal com um jogo que teve muito da estratégia de José Mourinho: 30% de posse bola, três finalizações certas e 2 a 0 no placar. Em campo, o time se preocupou em fechar os espaços, negar possibilidades ao rival e atacar em velocidade, potencializando o jogo de Son e Kane – autores dos dois gols do confronto. Algo que já tinha acontecido de forma muito semelhante quando os Spurs derrotaram o Manchester City de Pep Guardiola, no fim de novembro. Um estilo muito característico de Mourinho e bastante criticado.  

Na liderança da Premier League depois de 11 rodadas, o Tottenham teve vitórias (e jogos) que mostraram diferentes versões da equipe treinada pelo Special One. Em alguns confrontos com mais posse, ocupação ofensiva e um maior volume no ataque, em outros, linhas mais próximas do próprio gol, poucos ataques e uma proposta baseada na efetividade de seus homens de frente.  

A questão é que muitos julgam Mourinho e seus trabalhos mais recentes pela “ausência de protagonismo” ou “a falta de posse de bola em vários momentos”. Por si só essa já é uma discussão extremamente pobre, a de medir um jogo por quem fica mais tempo com a bola, como se isso decretasse algo. Mas a questão, por vezes, vai além: existe quem critica, em todo o mundo, o jogo do técnico português pelo o que se idealiza ser o melhor futebol, questão ainda mais subjetiva.  

Quem tem o controle disso? Quem define o que é melhor para cada time? Com certeza não somos nós da crítica. O futebol jogado dentro de campo pertence aos jogadores, aos técnicos e seu staff. Quem analisa tem papel importante na avaliação das partidas e até no entendimento do publico geral (desde que se proponha a isso), mas precisa ser feito olhando para as propostas e a execução delas, nunca com nossas preferencias à frente dos planos de quem faz acontecer.  

Todo mundo que gosta de futebol tem alguma preferencia, isso é absolutamente natural. Uns gostam do estilo Guardiola, outros preferem o que Jürgen Klopp propõe no Liverpool e vários se encantam com a eficiência do plano de Mourinho, para ficar em apenas alguns exemplos. Mas o futebol precisa ser julgado pelo que é jogado (ou não) e nunca por aquilo que preferimos ver.  

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Bandsports.

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