Stephano Alba

Formado em Rádio e Televisão pela FAAP em 2016, mesmo ano que iniciei a jornada no BandSports, onde atualmente trabalho como editor. Diferente da maioria dos brasileiros que escolhem o esporte bretão, em 2003 me apaixonei pelo basquete. Torcedor do Denver Nuggets e defensor do pivôzão raiz, joguei como ala na base do Paulistano e defendi por alguns meses as cores da Rockrige School, de Vancouver (Canadá). Fui coordenador do Linha de 3, programa que dá nome a esta coluna apresentado na época pela lenda Álvaro José e que contava com os comentários de Danilo Castro, ex-armador da seleção brasileira. Tive a oportunidade de sentar à essa mesa algumas vezes para comentar o esporte, na minha opinião, mais frenético de todos os tempos. E é sobre ele que vamos falar aqui neste espaço semanalmente.

Linha de 3

O verdadeiro “bonde do Mengão sem freio” usa regata

Por Stephano Alba 04/11/2020 • 09:54
Equipe de basquete do Flamengo chega como uma das favoritas ao título do NBB
Equipe de basquete do Flamengo chega como uma das favoritas ao título do NBB
Divulgação/FIBA

O “Campeão de Tudo”, como é conhecido o time de basquete do Flamengo, tem dominado as quadras muitos antes do rubro-negro dos gramados. O clube carioca vem dando aula desde a mudança do Campeonato Nacional de Basquete em 2008 para o Novo Basquete Brasil, carinhosamente chamado de NBB.  

Está enganado aquele que pensa que as migalhas do futebol sobram para as estrelas da bola laranja. O basquete é autossuficiente lá na Arena Carioca 1. O projeto para o alto nível apresentado durante esses anos tem motivo: a boa gestão busca financiamento e organiza as contas do clube. São oito patrocinadores via leis de incentivo, ou seja, parte do Imposto de Renda das empresas vai para projetos esportivos aprovados pela Secretaria Especial do Esporte. Que bom seria se mais incentivos acontecessem, não é mesmo? O Flamengo é uma prova que existe retorno, caso o contrário, eu não estaria aqui escrevendo sobre o basquete brasileiro.

A hegemonia rubro-negra não vem apenas de fora das quatro linhas, é comum ver dinheiro mal investido, mas o Flamengo não cansa de montar times quase imbatíveis. Desde o início do NBB, são seis títulos nacionais, uma Copa Super 8, uma Sul-Americana, uma Liga das Américas, 12 estaduais e, claro, o Campeonato Mundial Interclubes de 2014.

Enquanto Jorge Jesus colonizava as terras tupiniquins do futebol, José Neto e Gustavinho já haviam conquistado a independência há tempos. Gustavinho, por exemplo, mudou o jeito de se jogar aqui no Brasil quando ainda comandava o Paulistano. À frente do seu tempo, viu que a tendência da NBA consistia em um jogo com time baixo, valorizando as bolas de três pontos e, assim, chegou ao seu primeiro título do NBB.

Outro ponto interessante é o “meme” de Gabriel Barbosa. Gabigol passava alguns jogos sem marcar, mas Marcelinho Machado, hoje comentarista, não deixava a sua estatística da linha de 3 diminuir. Ou seja, a frase “hoje tem bola de 3 do Marcelinho” faz muito mais sentido. Durante anos o ala foi a cara de um time vencedor que ainda hoje conta com os veteranos Marquinhos e Olivinha.

Há alguns dias, o time comandado por Gustavo de Conti foi derrotado na final da Champions League Américas pelo time argentino Quimsa, por 92 a 86, mas isso não tira os méritos da equipe que chegou à decisão sem perder um jogo sequer. Os cariocas seguem como favoritos para o NBB que tem seu pulo bola inicial no próximo dia 10.

O time deste ano, além dos já conhecidos Balbi, Marquinhos, Olivinha, Jhonatan, Mineiro, Matheusinho e companhia, conta com três novos jogadores: o ala-armador argentino Chuzito González, o pivozão Hettsheimer e o armador Yago chegaram ao Rio de Janeiro. Destaque para Yago, o “baixinho” de 1,78 foi um dos destaques do título do Paulistano na temporada 2017/2018, quando Gustavinho ainda era técnico do clube paulista. Ver esse jovem de 21 anos sendo treinado pelo técnico que o revelou para o mundo do basquete vai ser interessante.  

Resumindo, o basquete do Flamengo vem dominando o cenário esportivo muito antes de Jorge Jesus chegar e “revolucionar” o esporte bretão por aqui. E se eu ainda não o convenci que o “Bonde do Mengão sem freio” é o do basquete, basta olhar para o nome do clube. Tudo bem que em 1895 nem existia o time de basquete, mas jogadores de futebol não usam “regatas”.  

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Bandsports

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