Stephano Alba

Formado em Rádio e Televisão pela FAAP em 2016, mesmo ano que iniciei a jornada no BandSports, onde atualmente trabalho como editor. Diferente da maioria dos brasileiros que escolhem o esporte bretão, em 2003 me apaixonei pelo basquete. Torcedor do Denver Nuggets e defensor do pivôzão raiz, joguei como ala na base do Paulistano e defendi por alguns meses as cores da Rockrige School, de Vancouver (Canadá). Fui coordenador do Linha de 3, programa que dá nome a esta coluna apresentado na época pela lenda Álvaro José e que contava com os comentários de Danilo Castro, ex-armador da seleção brasileira. Tive a oportunidade de sentar à essa mesa algumas vezes para comentar o esporte, na minha opinião, mais frenético de todos os tempos. E é sobre ele que vamos falar aqui neste espaço semanalmente.

Linha de 3

Quanto mais alto maior é o tombo!

Por Stephano Alba 31/03/2021 • 14:08
Karl Malone defendeu o Utah Jazz por 18 temporadas e nunca foi campeão
Karl Malone defendeu o Utah Jazz por 18 temporadas e nunca foi campeão
Reprodução

As últimas trocas mexeram e muito com o coração dos amantes do basquete. Alguns times se preocuparam com o futuro. O Orlando Magic, por exemplo, usou seus jogadores como moeda de troca por alguns primeiros rounds do Draft. Outras equipes se fortaleceram. Caso do Denver que envolveu o ala Gary Harris em uma troca com Aaron Gordon. Já algumas franquias se preocuparam com o presente e montaram um time para lá de apelão, daqueles que proíbem de usar até em uma partida de vídeo game. Você já deve ter percebido que eu estou falando do Brooklyn Nets, o time que se quiser pode trocar sua regata pela do All-Star do Leste e ir para o jogo. Até porque juntando a participação da constelação de Nova York temos 40 aparições no jogo das estrelas. Kevin Durant, James Harden, Kyrie Irving, Blake Griffin e LaMarcus Aldridge formam um quinteto mais barulhento do que o AC/DC.

Mas o basquete é um esporte que às vezes nem a lógica pode explicar. Assim como no céu, dependendo do clima, às vezes as estrelas se apagam. Inúmeros elencos paneleiros já passaram na NBA, muitos conquistaram o cobiçado Larry O’Brian e outros entraram para a história como times que falharam miseravelmente. Vamos revirar um pouco o baú da maior liga de basquete do mundo e visitar alguns destes elencos que frustraram seus torcedores.

Houston Rockets – 1996 a 1998
O cenário era caótico para as franquias da NBA. Michel Jordan havia voltado de suas férias prolongadas e tinha sangue nos olhos para calar mais uma vez os críticos. Todos sabiam que a lenda voltaria para buscar seu quarto título, nada melhor do que montar um supertime para frear um hiper jogador. O Houston foi quem dominou nos anos de ausência de M.J, levou os dois títulos com domínio total de Hakleem Olajuwon e Clyde Drexler, mas sabiam que precisavam de reforços para lutar contra um Chicago Bulls completo. Pena que este confronto nunca aconteceu. Na temporada de 95/96 o foguete parou na semifinal da conferência contra o Seattle de Gary Payton e Shawn Kemp, que perderiam na final do campeonato para o lendário Chicago Bulls. No ano seguinte a gasolina do Rockets durou mais, o problema apareceu na final da conferência quando Karl Malone passou por cima de todos como um meteoro e levou o Utah Jazz para a final contra o Bulls. O resultado deste duelo você já sabe.

Los Angeles Lakers – 2003/2004
O breve relato da história do Houston me fez citar Karl Malone, um dos protagonistas deste parágrafo. O ala-pivô é um dos mais icônicos jogadores deste esporte que tanto amamos. Duas vezes medalha de ouro com o Dream Team, sem falar nos dois títulos de MVP da temporada regular (1997 e 1999). Foram 18 temporadas defendendo as cores do Utah Jazz e nenhum anel para chamar de seu. Um veterano Malone decidiu então se juntar a franquia tricampeã para enfim conseguir um precioso e brilhante anel de campeão. Phil Jackson, técnico da equipe, tinha como base Kobe Bryant e Shaquille O’Neal. Para deixar a estratégia ainda mais infalível o Lakers ainda contratou o armador Gary Payton. O título parecia certo, a festa já estava montada e só se falava no quarto título seguido daquela franquia que encantava dentro de quadra. Mas esqueceram de avisar Gregg Popovich e seu elenco. Tim Duncan, Tony Parker e Manu Ginóbili colocaram água no chope dos torcedores do Los Angeles e destruíram o sonho de Karl Malone que se aposentou após a derrota na semifinal do Oeste. O gigante pode ser então chamado de Gollum do basquete, assim como o personagem do Tolkien, ele é muito importante para a narrativa da história, mas ao final de sua jornada ficou sem nenhum anel.  

Brooklyn Nets – 2013/14
Para aqueles que já esqueceram, o Nets já montou um time apelão e se deu mal. Tudo começou em 2010 quando o bilionário Mikhail Prokhorov comprou o até então New Jersey Nets. O projeto começou com a migração da franquia para o centro de Nova Iorque após a construção do Barclays Center em 2012, um dos mais modernos ginásios. Após arrumar a casa, estava na hora de ajeitar os moradores da nova mansão. Um elenco para ninguém botar defeito. Os 5 titulares eram: Deron Williams (Um dos melhores armadores da época); Joe Jhonson (Um dos melhores pontuadores da temporada de 2012/2013); a dupla Paul Pierce e Kevin Garnett (campeões em 2008 com o Celtics) e Brook Lopez que havia sido um All-Star no ano anterior.

Sem falar nas armas de rotação. O técnico Jason Kidd contava com nomes como Jason Terry, Andrei Kirilenko e Shaun Livingston sentados em seu banco de reservas. A temporada regular não foi muito animadora, foram apenas 44 vitórias e um sexto lugar na fraca conferência do Leste. Uma luz no fim do túnel acendeu logo após a vitória no primeiro round dos playoffs contra o Toronto Raptors. Luz essa que foi quase varrida pelo Miami que mal sofreu para acabar com o sonho do Brooklyn.  

Com o fracasso, Garnett e Paul Pierce abandonaram o barco e no ano seguinte Joe Johnson e Deron Williams também pegaram as suas passagens e fizeram as malas.

Estes são apenas 3 dos inúmeros exemplos de seleções que tropeçam no seu próprio talento. Eu poderia ter colocado nessa lista o Miami de 2010/2011 quando LeBron se juntou com Wade e Bosh para cair na final para o Dallas de Dirk Nowitzki. Ou até mesmo o Boston da mesma temporada que contava com Ray Allen, Kevin Garnett, Shaquille O’Neal, Jermaine O’Neal e Rajon Rondo que caiu para o Miami na semifinal.

Existem muitos fatores que podem atrapalhar uma franquia paneleira. Lesões, brigas ou até mesmo incompatibilidade de jogo. O que não podemos é dizer que já existe um campeão, óbvio que também não podemos deixar de lado o favoritismo. Apesar das cores alvinegras, o Brooklyn Nets pode ser tudo menos uma zebra. O elenco bota medo em qualquer um e tem tudo para entrar na lista dos melhores times da NBA. Caso o contrário, vai encabeçar a minha lista do próximo texto sobre times que entraram para a história por fracassar miseravelmente.  

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