Ferrer, sobre aposentadoria: 'Ainda adoro jogar tênis'

Aos 36 anos, o tenista reconhece que teve uma boa carreira no esporte e que sente falta de jogar muitos torneios

Profissional desde 2000, David Ferrer vê se aproximar o fim de sua carreira profissional. Pretendendo atuar em mais alguns torneios no ano que vem antes de se retirar, o espanhol de 36 anos relatou como está se sentindo e quando viu que era o momento certo para isso.

"Minha temporada nunca terminou tão cedo (risos)", iniciou o espanhol em entrevista ao blog Punto de Break. "Eu sempre tive um cronograma muito apertado até o final do ano, isso mostra como foi boa a minha carreira. Sempre jogando muitos torneios, muitos jogos, então agora esta calma é apreciada, embora eu não queira mentir para você: queria estar em alta e continuar jogando todos aqueles jogos", revelou ele.

Tendo disputado sua última partida no circuito no dia 7 de outubro, quando se consagrou campeão do Challenger de Monterrey, no México, Ferrer não perdeu seu sentimento pelo esporte.

"Adoro jogar tênis, ainda tenho bons momentos, venho aqui e ainda gosto disso. No outro dia, por exemplo, eu estava treinando com Paco (Fogués) por puro prazer. Mas eu já sabia que, no dia em que eu não tivesse um bom ranking e não pudesse jogar de acordo com os torneios, a motivação mudaria. Devido aos problemas físicos, é impossível recuperar essa regularidade", disse Ferrer, que já foi número 3 do mundo em 2013, mas ocupa atualmente apenas a posição de 125 do ranking.

Com um total de 27 títulos no circuito em sua carreira profissional, David explicou o processo de decisão da sua aposentadoria das quadras.
"Entre 2016 e 2017, comecei a ver os primeiros sintomas e, agora em 2018, vi que eu estava mais preparado mentalmente para enfrentar e decidir esse momento. Eu tinha muito claro, queria sair sem odiar o tênis. Talvez há um ou dois anos atrás, eu não aceitasse essa nova situação de não ser top 10 ou top 15. Agora, olho para trás e valorizo o que consegui. Em um nível pessoal, é o momento perfeito".

Tendo se tornado pai do pequeno Leo em maio deste ano, o espanhol, que sempre foi conhecido por sua garra em cada partida, comentou um pouco sobre como será a vida após pendurar as raquetes.

"Bem, acredite ou não, eu não paro nunca. Primeiro, a família, com um bebê de seis meses que dá muito trabalho para mim e minha esposa, Marta. Eu também estou mudando de Valência para Jávea, arrumando a nova casa e me encontrando aqui, no meu lugar. Além disso, novas questões surgem sempre. Talvez, antes eu fazia mais coisas para mim, e agora eu as faço para os outros, coisas que preenchem esse tempo. Claro, eu continuo a praticar esportes, tanto fisicamente como uma bicicleta ou outras modalidades que eu não pude antes, por exemplo", falou o tenista, que é natural de Jávea.

Ao ser questionado da possibilidade do filho se tornar tenista quando crescer, Ferrer não escondeu seu desejo.

"No momento ele é muito novo, mas eu gostaria que ele tentasse, pelo menos. Eu gosto da atmosfera do tênis, acima de se tornar profissional ou não, o que eu gosto é a educação que o tênis pode te dar. Mas ele tem que fazer o que gostar, não é algo que me preocupa".

Com um vice-campeonato de Roland Garros em 2013 no currículo, quando foi derrotado pelo compatriota e 11 vezes campeão Rafael Nadal em sets diretos, David garante que, se pudesse voltar atrás, não mudaria em nada sua carreira.

"Essa é a minha essência. Ninguém me deixaria seguro de ser mais alto ou jogar de uma forma mais bonita. Eu prefiro ter sido o número 3 no mundo e consegui tudo o que consegui. Talvez a preparação física tenha mudado, mas naquela época não havia tal conhecimento. Ao longo da minha carreira, tenho corrido muito e isso me afetou nos problemas que tenho agora de tendões. Talvez pudesse terminar minha vida de tenista melhor no aspecto físico", pontuou.

David Ferrer jogará ainda a Copa Hopman, na Austrália, os ATPs 250 de Auckland, na Nova Zelândia, e de Buenos Aires, na Argentina, os ATPs 500 de Acapulco, no México, e de Barcelona, na Espanha, e se aposentará após o Masters 1000 de Madri, também na Espanha, em maio.

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