Iranianas esperam mudança de lei para assistir à final da Liga dos Campeões da Ásia

Exclusão feminina de jogos dos principais times do país acontece há quase quatro décadas

Ativistas do Irã continuam nutrindo a esperança de que as mulheres terão permissão para assistir à final da Liga dos Campeões da Ásia em Teerã no sábado, o que encerraria quase quatro décadas de exclusão feminina de jogos dos principais times do país.

Um público de mais de 80 mil pessoas é esperado no Estádio Azadi, onde o Persepolis, o time mais popular do Irã, tentará reverter o déficit de 2 x 0 da partida de ida diante do japonês Kashima Antlers e conquistar seu primeiro título continental.

As mulheres e meninas iranianas não tiveram permissão para assistir a nenhum evento esportivo da nação durante a maior parte dos 39 anos transcorridos desde a revolução islâmica, nem têm acesso às partidas dos maiores clubes desde 1981.

Um vídeo publicado nas redes sociais na semana passada mostrou autoridades no Estádio Azadi debatendo possíveis locais para uma "arquibancada familiar", uma iniciativa que permitiria o acesso das mulheres à arena.

Embora o vídeo tenha deixado ativistas otimistas, não houve nenhum anúncio subsequente. "Está silencioso há dias, a única coisa que vimos publicamente foi um vídeo curto do Ministério dos Esportes dentro do Estádio Azadi, e eles falavam sobre um setor feminino", disse uma porta-voz do grupo de ativistas Estádios Abertos à Reuters por e-mail, sob condição de anonimato.

"É nosso sonho há décadas. Sempre somos excluídas da felicidade e do entusiasmo públicos. Protestamos e lutamos por isso. Basicamente é a primeira exigência das mulheres".

A entidade Estádios Abertos vem pleiteando o acesso das mulheres a instalações esportivas do Irã, e representantes da organização se reuniram com a secretária-geral da Fifa, Fatma Samoura, nesta semana, para entregar uma petição assinada por mais de 200 mil pessoas.

Fatma disse que a Fifa trabalhará com o Irã para acabar com a proibição antiga à presença feminina em partidas, mas não sinalizou quando se pode esperar um avanço, noticiou a Thomson Reuters Foundation na quinta-feira.

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