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"Arbitragem acertou ao não dar wazari para Maria Portela", diz medalhista olímpico

Da Redação 28/07/2021 • 17:13 - Atualizado em 13/08/2021 • 13:44
Maria Portela (de branco) em ação contra russa Madina Taimazova
Maria Portela (de branco) em ação contra russa Madina Taimazova
Gaspar Nóbrega/COB

Na contramão de vários medalhistas olímpicos brasileiros, o judoca Henrique Guimarães, bronze nos Jogos de Atlanta-1996, disse que a arbitragem acertou ao declarar a russa Madina Taimazova vencedora na luta com a brasileira Maria Portela, na categoria até 70kg na Olimpíada de Tóquio. O resultado foi considerado polêmico.

Dois momentos do combate foram mais comentados: primeiro um golpe não pontuado de Portela já no golden score – a prorrogação do judô –, que garantiria a vitória; depois a punição – a terceira – aplicada à brasileira pelo árbitro mexicano Everardo Garcia, que acabou definindo a derrota e a eliminação.

Para Guimarães, o árbitro acertou em não dar o wazari, que torcida e ex-judocas brasileiros entendem que seria a pontuação justa para o golpe. Faltou, segundo ele, um toque mais claro das costas da russa no solo.

“Ela [russa] passa e roda, gira pela cabeça. Houve um contato que não tem jeito. A cabeça não separa do ombro. Encostou a omoplata no tatame, mas tinha que ter pegado um pouquinho mais para baixo”, analisou Guimarães, comentarista de judô do Bandsports, que transmite os Jogos de Tóquio.

O golpe chegou a ser revisado em vídeo, mas os juízes não deram a pontuação.

O judoca ainda afastou qualquer a possibilidade de uma perseguição da arbitragem à brasileira.

Recuo

Guimarães afirmou também que Portela errou durante o golden score, e permitir que a russa passasse aos árbitros a impressão de que tinha mais volume de luta. O que, por fim, causou a punição decisiva à brasileira.

“Ela [Portela] comeu a recuar. O cansaço bateu. Se a atleta vem para cima dela, é mais fácil para entrar [e tentar um golpe]. Se não segura o quimono [da adversária], você induz o árbitro [a entender] que está fugindo. Isso no judô dá a falsa impressão de que não está atacando. E isso foi durante quase um minuto”, analisou Guimarães, para quem faltou mais orientações do técnico para Portela.

Ex-técnico de Portela, Guimarães lamentou a derrota. “Ela dominou praticamente a luta toda”, disse o comentarista, que abrigou a judoca na casa da sua mãe em São Paulo durante um período, no início da carreira.

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