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“Brasileiros tiveram estrutura, mas parece que se acomodaram”, diz Prado sobre revezamento 4x100m

Da Redação BandSports 26/07/2021 • 22:17 - Atualizado em 27/07/2021 • 10:25
Comentarista do Bandsports detonou a participação de quarteto brasileiro nos Jogos de Tóquio
Comentarista do Bandsports detonou a participação de quarteto brasileiro nos Jogos de Tóquio
Reprodução/Bandsports

O sonho da medalha brasileira no revezamento 4x100m livre nos Jogos de Tóquio-2020 teve um fim decepcionante. Com o quarteto formado por Breno Correia, Pedro Spajari, Gabriel Santos e Marcelo Chierighini registrando 3min13s41 e ficando na última colocação da prova, o ex-nadador Ricardo Prado, prata em Los Angeles-1984 e comentarista do Bandsports, não poupou críticas à atuação dos representantes do Time Brasil.

“A prova foi excelente para outras equipes. Para o Brasil, realmente não sei nem como explicar ou justificar. Acho que o Brasil teve todas as chances de se preparar muito bem, de estar com o melhor possível de preparação, apoio e estrutura. Não sei o que pode ter acontecido: se os caras não treinaram, se treinaram errado ou se foram muito fracos na hora de performar e simplesmente amarelaram”, desabafou ele durante o programa Maratona Bandsports.

Durante a preparação para os Jogos de Tóquio, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) intensificou os treinamentos e acomodou atletas em seu centro de treinamento, localizado no Rio de Janeiro. Para Pradinho, entretanto, os nadadores não souberam aproveitar a hospedagem. 

“Eles foram muito bem atendidos, inclusive são os quatro do [Clube] Pinheiros, o COB tirou eles daqui de São Paulo, levou para o Maria Lenk, no Rio, colocou em um hotel 5 estrelas em frente à piscina, com tudo disponível, toda estrutura de laboratório, nutricionista, de tudo. Ficaram, no mínimo, entre janeiro e a seletiva, que foi no final de abril, e imagino que depois da seletiva também”, destacou o comentarista. 

“Não entendo, são quatro garotos experientes e talentosos. Breno Correia é superjovem, garoto de muito futuro. Os outros um pouco mais velhos. Marcelo Chierighini mais para o final de carreira, tem uma história longa, uma bagagem grande. Eles pioraram o tempo, que era tudo que não podiam fazer, eles tinham que melhorar o tempo das eliminatórias, mas pioraram e pegaram oitavo lugar”, continuou.

Além da amarga participação verde e amarela, a prova contou com amplo domínio norte-americano. Com tempo de 3min10s11, Caeleb Dressel, Blake Pieroni, Bowen Becker e Zach Apple sobraram na decisão e ficaram com o ouro. Questionado sobre a diferença de apoio dos países ao esporte, Prado destacou a acomodação dos brasileiros.

“Acho que não, acho que a gente dá mais até [apoio]. Acho que eles [brasileiros] ganham mais em salário e patrocínio do que os americanos e outros australianos. Desde quando o Brasil soube que ia sediar a Olimpíada, caminhões e caminhões de dinheiro [foram destinados] para o esporte, atletas, preparação e viagem internacional. Tempos fáceis. Isso está criando atletas moles. Não sei se é comodismo, mas está criando atletas frouxos. Odeio até dizer esse termo. Mas a gente levou 33 atletas nadadores para a Rio-2016, só quatro melhoraram o tempo, ninguém pegou medalha. Poucas finais e semifinais. E nós temos uma natação parruda, com grandes campeonatos, grandes clubes que investem. Mas chega aí [Olimpíada] e não sei o que acontece. Será que estamos produzindo atletas mais acomodados?”, encerrou.

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