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Copa do Catar será marco de investimentos e estruturas de última geração

Da Redação Bandsports 29/11/2021 • 15:51
Cinco dos oito estádios já estão prontos para receber a competição no fim de 2022
Cinco dos oito estádios já estão prontos para receber a competição no fim de 2022
Instagram/Road to 2022

A menos de um ano para a Copa do Mundo do Catar, o Comitê Supremo Organizador do torneio confirmou que cinco dos oito estádios já estão prontos para receber as partidas do maior evento de futebol do mundo. Com estruturas de última geração, o evento representará um dos maiores investimentos realizados na história do futebol mundial. 

Segundo o diretor do Comitê Organizador da Copa, Hassan al-Thawadi, a competição funcionará como um motor de desenvolvimento do país sede, e o orçamento global do projeto alcançou cerca de US$200 bilhões, equivalente a um trilhão de reais. 

“Embora seja um país sem tanta tradição esportiva, em que o futebol local está longe de ser uma das principais ligas do mundo, o Catar tem uma característica de governança com muito recurso, que investiu no mais alto nível em tudo que se refere a Copa do Mundo, seja nos estádios ou até mesmo na própria infraestrutura da cidade. Este vai ser o grande momento para o Catar se mostrar ao mundo e o futebol tem essa capacidade”, declara Marcelo Paz, presidente do Fortaleza. 

Diferentemente das outras edições, esta Copa trará um fator novo aos torcedores que irão acompanhar aos jogos in loco, uma vez que vai permitir ao público assistir mais de uma partida no mesmo dia, sem necessariamente pegar um avião ou percorrer grandes distâncias. O Catar será o menor país em tamanho a sediar uma Copa do Mundo.

Para Jorge Braga, CEO do Botafogo, a oportunidade de ir a mais de um jogo por dia é uma das principais novidades da Copa de 2022. “A maior distância entre os estádios é de cerca de 70 quilômetros. Tudo isso foi pensado e planejado pelo país sede, juntamente com a Fifa, que organizou até quatro horários diferentes para as partidas. A ideia é fazer com que dê tempo dos torcedores chegarem a outro estádio, sem necessariamente precisarem de viagens aéreas. Acho que todo esse contexto deve permitir, pela primeira vez, um conforto e otimização de demandas específicas para torcida, imprensa e até mesmo as equipes”, completa o executivo. 

Na visão de Felipe Soalheiro, diretor da SportBiz Consulting, agência especializada em marketing esportivo, embora exista na Copa do Mundo no Catar um forte componente de interesses geopolíticos, há também o objetivo claro de alavancar negócios internacionalmente, posicionando o país como uma potência em termos de excelência e imagem.

“Esta será, por exemplo, a primeira Copa que não irá contar com uma categoria exclusiva de Patrocinadores Nacionais, marcas com direitos de ativação exclusivos dentro do próprio país-sede, desde que a FIFA introduziu esse modelo em 2014. Ao contrário, para 2022 decidiu abrir oportunidades externamente, para que marcas de outros mercados se associem ao evento através da categoria de Apoiadores Regionais, da qual Nubank e a UPL fazem parte”, destaca o especialista. 

Apesar de todo esse investimento colossal para promover um dos eventos mais grandiosos na cidade de Doha, há outro fator por trás que, na visão dos especialistas, parece ter um objetivo claro: melhorar a imagem do país diante do resto do mundo. “É uma oportunidade do país angariar notícias positivas pela organização, pela estrutura e outras frentes que queiram mostrar. Sabemos da atratividade do torneio, da força de exposição, da grandeza das seleções e do poder midiático, mas hoje a população mundial também busca informação de algo a mais. Além do jogo, do campeão, o que mais este torneio vai trazer para o mundo de positivo?”, indaga Renê Salviano, especialista em marketing esportivo. 

A Fifa tem sido pressionada por conta das denúncias sobre violação dos direitos humanos. As acusações envolvem trabalhadores que atuam na construção dos estádios e na infraestrutura para a Copa de 2022 em todo o país. Neste ano, os jogadores de diversas seleções durante as Eliminatórias se manifestaram contra as péssimas condições dos funcionários estrangeiros que trabalharam nas obras. Alguns atletas fizeram protestos antes mesmo das partidas, como o atacante Haaland, do Borussia Dortmund, e Toni Kroos, do Real Madrid. 

Segundo uma série de reportagens do jornal “The Guardian”, mais de 6.500 trabalhadores estrangeiros já perderam a vida durante o processo de reforma de infraestrutura. Na última semana, a Anistia Internacional (AI) cobrou o Catar para cumprir com as promessas de que irá melhorar as condições para aproximadamente dois milhões de trabalhadores do país antes da Copa.