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"Deveria ter desistido muito antes de Tóquio", diz Simone Biles

Da Redação Bandsports 28/09/2021 • 12:16 - Atualizado em 28/09/2021 • 13:40
Ginasta disse que sofreu desgaste mental por causa da investigação dos abusos cometidos pelo ex-médico da seleção americana Larry Nassar
Ginasta disse que sofreu desgaste mental por causa da investigação dos abusos cometidos pelo ex-médico da seleção americana Larry Nassar
Divulgação/USA Gymnastics

A norte-americana Simone Biles afirmou que deveria ter desistido de disputar os Jogos Olímpicos de Tóquio bem antes do início da competição. A maior ginasta da história abriu mão de cinco das seis finais e levantou uma discussão importante sobre a pressão psicológica no esporte de alto rendimento.

Em entrevista à revista “New York”, ela destacou que o grande desgaste mental sofrido por causa da investigação dos abusos cometidos pelo ex-médico da seleção americana Larry Nassar impactou sua preparação.

“Se você olhar para tudo que eu passei nos últimos sete anos, eu nunca deveria ter feito parte de outro time olímpico. Eu deveria ter desistido muito antes de Tóquio, quando Larry Nassar estava na mídia por dois anos. Foi muito. Mas eu não ia deixá-lo tirar de mim algo pelo qual eu trabalhei desde os meus seis anos de idade. Eu não iria deixá-lo tirar de mim toda aquela alegria. Então, eu empurrei o passado para trás o máximo que minha mente e meu corpo deixaram”, disse.

“Por conta disso, eu fiquei mais e mais nervosa. Eu não me senti tão confiante quanto deveria depois de ter treinado tanto quanto treinei. Isso é algo que eu devo trabalhar pelos próximos 20 anos. Não importa o quanto eu tente esquecer. É um trabalho em andamento”, completou a dona de sete medalhas olímpicas.

Em Tóquio, Biles sofreu com os chamados “twisties”, uma sensação que faz com as ginastas percam a orientação no ar. Ela disputou apenas na final da trave, aparelho que exige menos acrobacias aéreas onde conquistou a medalha de bronze.

Biles revelou em janeiro de 2018 que foi uma das vítimas de Nassar, condenado à prisão perpétua por agressão sexual contra mais de 250 atletas, a maioria delas menores de idade. A ginasta testemunhou recentemente no Senado dos Estados Unidos sobre os erros do FBI na investigação contra o ex-médico da seleção e afirmou que as autoridades “fecharam os olhos” diante das atletas.

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