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Michael Masi revela ameaças de morte após GP de Abu Dhabi

Da Redação Bandsports 04/08/2022 • 10:45
"Eu me senti o homem mais odiado do mundo", disse o ex-diretor de provas da F1
"Eu me senti o homem mais odiado do mundo", disse o ex-diretor de provas da F1
Divulgação/Site F1.com

Ex-diretor de provas da Fórmula 1, Michael Masi relatou ter sofrido ameaças de morte depois do desfecho do GP de Abu Dhabi do ano passado. A prova que decidiu o campeonato teve atuação polêmica do australiano sobre os procedimentos de safety car na relargada, quando Max Verstappen ultrapassou Lewis Hamilton na última volta e ficou com título.

“Houve alguns dias sombrios. Eu me senti o homem mais odiado do mundo. Recebi ameaças de morte. As pessoas diziam que iriam atrás de mim e da minha família”, disse Masi.

“Foi chocante. Racista, abusivo, vil, eles me chamaram de todos os nomes existentes debaixo do sol. E continuam chegando. Não apenas no meu Facebook, mas também no meu LinkedIn, que deveria ser uma plataforma profissional para negócios”, continuou.

O australiano também falou sobre o abalo psicológico causado pelo episódio e revelou que até evitou contato com familiares.

“Eu não queria falar com ninguém, nem mesmo com família e amigos. Eu só conversei com minha família mais próxima, mas muito brevemente. Tive um impacto físico também, mas foi mais mental. Eu só queria estar em uma bolha. Eu só queria ficar sozinho, o que foi muito desafiador. Mas toda a experiência me tornou uma pessoa muito mais forte”, destacou.

A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) abriu um inquérito para investigar as decisões de Masi na prova. O resultado não identificou má fé e apontou “erro humano”.

Relembre o que aconteceu na última e decisiva prova de 2021
A quatro voltas do fim da prova no circuito de Yas Marina, Lewis Hamilton, da Mercedes, liderava a corrida com ampla vantagem e estava praticamente com as mãos no troféu quando Nicholas Latifi, da Williams, bateu, causando a entrada do safety car na pista.

Enquanto os destroços do carro do canadense eram retirados do traçado e alguns pilotos, incluindo Verstappen, optaram pela ida aos boxes para a troca de pneus, a direção de prova deu início à série de decisões desastrosas. Em princípio, foi divulgado que os retardatários não iriam ultrapassar o líder da prova para se realinharem na pista – o que seria favorável para o britânico, já que cinco carros ficariam entre ele e o rival holandês.

Minutos depois, no entanto, a decisão foi alterada e, contrariando as regras, somente os carros que estavam entre os dois concorrentes puderam ultrapassar Hamilton, que ficou na alça de mira do piloto da Red Bull. O safety car, que pela regra deveria deixar a pista na volta seguinte, saiu logo em seguida, pois não haveria outra volta, já que estavam entrando no último giro da prova.

Com a relargada autorizada na volta final, o holandês então aproveitou os pneus mais novos e ultrapassou Hamilton, para conquistar seu inédito título mundial da categoria.