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Paralimpíada: conheça mais sobre a natação na Tóquio-2020

Da Redação Bandsports, com Agência Brasil 23/08/2021 • 07:39
Modalidade está presente desde a primeira edição dos Jogos Paralímpicos, em 1960
Modalidade está presente desde a primeira edição dos Jogos Paralímpicos, em 1960
Divulgação/CPB/Ale Cabral

A natação está presente na Paralimpíada desde a edição de 1960, a primeira oficial, em Roma, na Itália. Na ocasião, a disputa reuniu 77 nadadores com lesões medulares, representando 15 países e competindo em 62 provas de, no máximo, 50 metros.

Atletas com amputações e deficiências visuais entraram na briga por medalhas a partir dos Jogos de Toronto, no Canadá, em 1976. Quatro anos depois, em Arnhem, na Holanda, a disputa foi aberta a nadadores com paralisia cerebral. Em 1984, cadeirantes e pessoas com outros tipos de deficiência locomotora (les autres, do francês os outros) foram incluídos nas edições realizadas, simultaneamente em Stoke Mandeville, na Grã-Bretanha, e Nova York, nos Estados Unidos. Por fim, na Paralimpíada de Sydney-2000, na Austrália, tiveram vez os competidores com deficiência intelectual.

Os nadadores paralímpicos são divididos por categorias, de acordo com o grau da deficiência. As classes S (do inglês swimming) de 1 a 10 são voltadas a atletas com comprometimento físico-motor, sendo que, quanto maior o número, menor a limitação. Na hora da prova as próteses devem ser retiradas. Nas classes mais baixas é comum o competidor largar de dentro da piscina, por causa do tipo de comorbidade. No caso de amputados de membros superiores, alguns se apoiam em uma toalha, usando a boca, para largar no nado costas.

O mesmo critério (quanto maior o número, menor a limitação) também distingue as classes de S11 a S13, nas quais competem os deficientes visuais. Na S11 estão os atletas totalmente cegos, que necessitam do tapper, um bastão com espuma na ponta, que técnicos ou voluntários utilizam para tocá-los nos metros finais, alertando-os que a borda da piscina está próxima. Em outras categorias, os nadadores têm baixa visão, podendo, ou não, fazer uso do tapper. Nas três classes, os óculos devem ser escuros, para que a competição seja igual.

Entre as categorias físico-motoras (1 a 10), as provas de revezamento são 4x100m livre e medley e 4x50m livre. Na primeira, a soma do número das classes dos nadadores (tanto na disputa masculina como na feminina) não pode superar 34. Na segunda, que reúne atletas com maior grau de comprometimento, a soma máxima é 20.

Nadadores com deficiência visual (11 a 13), além daqueles com deficiência intelectual (S14), também disputam revezamentos 4x100m livre, todos mistos. No primeiro caso, porém, há uma restrição: a combinação do número das categorias de cada integrante não pode ir além de 49.

Na história da Paralimpíada, Estados Unidos e Grã-Bretanha disputam o posto de maior medalhista na natação. Segundo o Comitê Paralímpico Internacional (IPC, na sigla em inglês), os norte-americanos conquistaram 689 medalhas, sendo 268 de ouro, contra 681 pódios dos britânicos (217 vezes no topo). O top 5, com base nas medalhas de ouro, ainda tem Holanda (180), Canadá (161) e Austrália (128).

Parte significativa das conquistas norte-americanas veio com Trischa Zorn, dona de 46 medalhas paralímpicas, sendo 32 douradas. Entre os homens, o britânico Mike Kenny é quem mais vezes esteve no topo do pódio, 16, mas o maior medalhista é o brasileiro Daniel Dias, com 24 medalhas, sendo 14 de ouro. Na última Paralimpíada da carreira, Daniel terá a chance de se tornar o maior campeão da modalidade no masculino.

A natação brasileira competirá renovada em Tóquio. São 13 estreantes paralímpicos entre os 35 convocados. Entre eles, alguns fortes candidatos a medalha, como Gabriel Geraldo (S2), recordista mundial da categoria, e os campeões mundiais Wendell Belarmino (S11) e Maria Carolina Santiago (S12). Além disso, 12 nadadores têm até 23 anos, caso do integrante mais jovem dos 260 atletas da delegação nacional em solo japonês: João Pedro Brutos (S14), de 18 anos.

As provas da natação serão disputadas no Centro Aquático de Tóquio. As eliminatórias ocorrem sempre a partir das 21h (horário de Brasília), com finais às 5h, também de Brasília. Pelo horário brasileiro, os atletas começam a cair na água na noite desta terça-feira, 24.