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Paralimpíada: conheça mais sobre o ciclismo em Tóquio

Da Redação Bandsports, com Agência Brasil 23/08/2021 • 15:53 - Atualizado em 23/08/2021 • 15:55
Brasil terá cinco atletas nas provas de pista e de estrada
Brasil terá cinco atletas nas provas de pista e de estrada
Divulgação/CPB/MPIX/Marco Antonio Teixeira

Um dos esportes mais praticados no mundo por pessoas com deficiência, o ciclismo adaptado já é tradição nas Paralimpíadas. Desde Moscou-1980 até Tóquio-2020, a modalidade evoluiu, adotou novas categorias e atualmente engloba atletas de ambos os sexos com dificuldade de locomoção, amputados, cadeirantes e pessoas com deficiência visual.

O ciclismo paralímpico é disputado em provas de pista no velódromo e de estrada, e tem algumas diferenças do ciclismo convencional. Entre os atletas com dificuldade de locomoção, as bicicletas podem ser convencionais ou triciclos, de acordo com o grau de deficiência do atleta. Os atletas com deficiência visual pedalam em uma bicicleta de dois lugares chamada de tandem, sendo guiados por outra pessoa que enxerga normalmente e que fica no banco da frente. Os cadeirantes utilizam uma bicicleta adaptada, a handbike, cujos pedais são impulsionados pelas mãos dos competidores.

Os atletas são classificados em classes:

H1 a H4: Ciclistas utilizam a handbike, sendo H1 para atletas mais debilitados e H4, menos.

T1 e T2: Ciclistas com paralisia cerebral cuja deficiência os impede de andar e que competem em triciclos.

C1 a C5: Classes direcionadas aos competidores com deficiência físico-motora e amputados que competem em bicicletas convencionais. A C1 é para graus mais severos de deficiência e a C5, para menores graus.

Tandem: Classe destinada aos deficientes visuais, que utilizam a bicicleta de dois lugares.

O Brasil estreou no ciclismo paralímpico em Barcelona-1992, com a participação de Rivaldo Gonçalves Martins, que foi o primeiro brasileiro a ser campeão mundial, em 1994, na Bélgica. As primeiras medalhas foram conquistadas por Lauro Chaman nos Jogos do Rio de Janeiro, em 2016: uma prata na prova de estrada C4-5 e um bronze no contrarrelógio C5. Lauro será um dos representantes brasileiros em Tóquio.

As provas de ciclismo de pista para o Brasil na Paralimpíada de Tóquio começam no dia 25 de agosto e vão até o dia 28, no Izu Velódromo. As provas de estrada ocorrem no Fuji International Speedway, entre 31 de agosto e 3 de setembro.

Cinco atletas serão o Brasil no ciclismo
A potiguar de Natal, Ana Raquel Lins vai competir na Classe C5 no Velódromo em Tóquio. Ela nasceu com a síndrome de Poland, deformidade rara que afetou parte de seu corpo, e começou sua trajetória esportiva na natação. Participou dos Jogos Paralímpicos da Rio-2016 na equipe de triatlo. Mas agora está focada no ciclismo.

André Luiz Grizante foi ciclista convencional por 15 anos. Em 2013, sofreu um acidente de moto e perdeu o movimento na perna e pé esquerdos. O paulista de São Caetano do Sul adotou o ciclismo paralímpico em 2017 e já teve conquistas, foi ouro na prova de contrarrelógio e de resistência no Circuito Parapan-Americano MC4 em 2018, em São Paulo, e campeão geral do Circuito Parapan-Americano em 2019, também em São Paulo. Em Tóquio vai competir na Classe C4 na estrada e na pista.

Lauro Chaman é o primeiro ciclista brasileiro medalhista em Paralimpíadas, levou a prata na prova de estrada e bronze na prova contrarrelógio na Rio-2016 na Classe C5. Ele nasceu com o pé esquerdo virado para trás e depois de passar por cirurgia mal-sucedida para corrigir o membro, acabou perdendo o movimento do tornozelo, causando atrofia na panturrilha. Lauro começou como atleta competindo no mountain bike convencional contra ciclistas sem deficiências e aos 22 anos começou no ciclismo paralímpico. Além das medalhas paralímpicas, o atleta foi campeão mundial em 2017 e pan-americano em 2019.

Goiano de Anápolis, Carlos Alberto Gomes Soares começou no esporte paralímpico em 2016. Por causa da paraparesia espástica, doença que atrapalha a locomoção, sua perna esquerda é quase totalmente paralisada. Carlos Alberto vai competir em Tóquio na classe C1, na estrada. O atleta já levou dois bronzes na prova de resistência nas etapas da Itália e da Bélgica da Copa do Mundo de 2019.

Jady Martins Malavazzi vai representar o Brasil nas provas de estrada na Classe H3. Ela perdeu o movimento das pernas aos 13 anos, depois de um acidente de carro. Começou como atleta no basquete sentado, mas em 2011 escolheu o ciclismo. A paranaense de Jandaia do Sul já foi bronze na prova contrarrelógio e na prova de estrada no Mundial de Ciclismo de Estrada de 2018 em Maniago, na Itália, e prata na prova de estrada nos Jogos Parapan-Americanos de Guadalajara, em 2011. Jady esteve também na Rio-2016.