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Simone Biles foi corajosa, analisa psicóloga do COB

Da Redação 28/07/2021 • 16:01 - Atualizado em 28/07/2021 • 23:20

A desistência da ginasta norte-americana Simone Biles de duas disputas nos Jogos Olímpicos de Tóquio, por causa de questões psicológicas, surpreendeu o mundo. Mas para a psicóloga do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Sâmia Hallage, a atitude também foi corajosa.

“É uma surpresa, mas a atitude dela foi muito positiva, admitir que está passando por um momento difícil, que tem uma questão de saúde mental, e não de lesão. Isso é corajoso, é muito bom, admitindo para si mesma que ela é um ser humano. O que gente não vê muitas vezes que é o atleta é um ser humano, que tem toda uma vida e também é atleta”, analisou Sâmia em entrevista ao Bandsports, que transmite os Jogos de Tóquio.

Primeiro Biles desistiu da disputa por equipes durante a prova. Depois anunciou que não disputará a final individual geral, chocando o mundo do esporte.

“Depois da apresentação que fiz, simplesmente não queria continuar. Acho que a saúde mental é mais importante nos esportes nesse momento. Temos que proteger nossas mentes e nossos corpos e não apenas sair e fazer o que o mundo quer que façamos”, explicou Biles.

A ginasta, favorita e uma das maiores estrelas em Tóquio, chegou a dizer que os Jogos Olímpicos têm sido “muito estressantes".

Por que foi?

Uma das questões levantadas foi: se a atleta sabia que não estava bem, por que foi para a competição? Sâmia afirma que Biles, provavelmente, já dava sinais de que não aguentaria. Mas um componente comum da personalidade dos atletas pode esconder os problemas: tabu.

“O problema pode adquirir uma intensidade maior durante a competição e pode explodir num momento de pressão, mas com certeza ela já tinha sintomas e já vinha sofrendo há muito tempo”, diz a psicóloga. “A gente precisa falar sobre isso e esclarecer, não é um tabu. Atletas tinham medo de falar para não aparentar fraqueza”, completa.

Sâmia citou o exemplo do nadador norte-americano Michael Phelps, que teve depressão e admitiu o problema.

“Phelps teve depressão e precisou de ajuda especializada e conseguiu transforma um momento difícil da vida dele”, afirmou a psicóloga sobre o atleta dono de 28 medalhas olímpicas, sendo 23 de ouro.

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