Notícias

Vettel diz que F1 pode “desaparecer” se não tiver tecnologias sustentáveis

Da Redação Bandsports 03/01/2022 • 09:59
"A F1 não é verde", disse o piloto da Aston Martin
"A F1 não é verde", disse o piloto da Aston Martin
Instagram/Aston Martin

Além de seu legado com quatro títulos mundiais na Fórmula 1, Sebastian Vettel sempre se mostrou um piloto focado em questões que vão além das pistas, especialmente ligadas à sustentabilidade. Um dos exemplos ocorreu na temporada passada, quando ele ajudou na coleta de lixo após o Grande Prêmio da Inglaterra.

Assim como o mundo tem se adaptado para cuidar de nosso planeta, o alemão fez questão de alertar que a Fórmula 1 não pode ficar de fora destas mudanças, mas que os responsáveis devem fazer isso de forma inteligente, mantendo a essência do esporte de desenvolver tecnologias.

"A F1 não é verde. Vivemos em uma época em que temos inovações e possibilidades de, indiscutivelmente, torná-la sustentável também e não perder nada do espetáculo, da velocidade, do desafio, da paixão. Temos tantas pessoas inteligentes e poder de engenharia aqui que poderíamos encontrar soluções”, afirmou o piloto da Aston Martin.

"Os regulamentos atuais são empolgantes, o motor é super eficiente, mas é inútil, não vai ser uma fórmula que estará na estrada ou em seu carro quando você decidir comprar um novo. Portanto, qual é a relevância? Há certas coisas para o futuro mais relevantes que, se vierem, serão boas. Se não, não estou otimista. Acho que a categoria desapareceria nesse caso - e provavelmente com razão”, acrescentou.

Um dos principais pontos discutidos por Vettel se refere ao uso de combustíveis fósseis, que apesar de já terem diminuído com a chegada da era híbrida na F1, ainda estão longe de cumprir seu papel “revolucionário”.

"Não sou um especialista em todos os combustíveis, mas prefiro os sintéticos do que biocombustíveis", declarou. "Eles são um pouco complicados, mas você precisa obter carbono de algum lugar”, explicou o alemão.

"É definitivamente certo que a F1 busca combustíveis renováveis e um uso para sintéticos, mas agora temos um conteúdo de apenas 10% de 'e-combustíveis' - o que não é uma revolução. Você pode comprá-lo em bombas ao redor do mundo há vários anos. Isso não corresponde às ambições de que a F1 tem de ser líder tecnológica”, continuou.

Entretanto, o tetracampeão mundial terá que esperar para ver uma mudança nas unidades de potência, estando prevista a reformulação apenas em 2025/26, podendo não acontecer caso a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) congele os desenvolvimentos por mais cinco anos.

"Fala-se que algo pode mudar, mas com o congelamento até 25/26, serão mais cinco anos de nenhum progresso que eu acho que colocarão nosso esporte sob grande pressão”, concluiu Sebastian Vettel.