Para brigar por medalha em Tóquio, Fernando Reis foca em fisioterapia e treino funcional

Após cirurgia no joelho, halterofilista realiza trabalho específico e reduz diferença de força nas pernas

Tricampeão pan-americano, Fernando Reis foi do sonho ao pesadelo no final de 2018. Após conquistar um inédito quarto lugar no Mundial de Asgabate, no Turcomenistão, em novembro daquele ano, o halterofilista teve de passar por uma cirurgia apenas um mês depois para reconstruir o tendão quadricipital do joelho esquerdo.

“Lembro muito bem de perguntar ao doutor Caio D’Elia quando fiz cirurgia: ‘vai dar tempo de competir nos Jogos Pan-Americanos?’ E ele me disse que não havia parâmetro de comparação, porque não existia uma pessoa que levantasse tanto peso quanto eu nas Américas”, conta Fernando.

O atleta, no entanto, sabia que o prazo estimado para a calcificação do tendão era de seis a oito meses. “E, em seis meses, eu estava ganhando o Pan”, lembra ele, citando os Jogos Pan-Americanos de Lima, em 2019. Fernando já havia ocupado o primeiro lugar do pódio nos Pans de Guadalajara-2011 e Toronto-2015.

Apesar da medalha de ouro, no entanto, o halterofilista ainda teria um longo caminho pela frente para voltar à sua melhor forma, tanto pela gravidade da lesão quanto por sua composição física.

“Em fevereiro deste ano, vim ao Laboratório Olímpico fazer medições pós-cirúrgicas e realizamos alguns procedimentos para ver a diferença de força entre as pernas. O resultado foi uma desproporção considerável, de 30%, entre a perna esquerda e a direita. Foi quando comecei a fazer muito trabalho de fisioterapia e fortalecimento”, explica o atleta de 30 anos, que vive atualmente em Miami, Estados Unidos.

Diante do resultado, Fernando notou que precisaria de um trabalho especial para diminuir a diferença de força e que apenas o aumento de volume ou intensidade dos treinamentos não seria suficiente para ajudá-lo a voltar à sua melhor forma.

“Comecei a fazer um trabalho unilateral de fortalecimento das pernas. Foi uma atividade menos agressiva com as cargas do levantamento de pesos, e mais funcional. Trabalhamos os músculos pequenos para corrigir debilidades entre as pernas esquerda e direita. Foi algo diferente que apliquei no meu programa de treinamento, e estamos diminuindo esse gap”, diz ele.

Depois de seis meses do início do tratamento, os últimos resultados indicam uma melhora sensível, com uma redução de mais de 50% na desproporção de força. O que também pode ser creditado ao fato de que Fernando não precisou alterar sua programação de treinos.

“Houve algumas mudanças no protocolo de segurança, porém isso não alterou a minha rotina de treino. Fui um afortunado, tinha uma academia à minha disposição 24 horas por dia. Consegui treinar e me recuperar. Já estou 100% e, se os Jogos Olímpicos fossem realizados hoje, estaria preparado para competir. Como temos mais tempo de preparação agora, é polir para chegar muito bem, sem cometer erros, e conseguir pegar essa medalha”, finaliza Fernando.

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